• Thich Nhat Hanh
  • Dalai Lama

    Dalai Lama

  • Mingyur Rinpoche

    Mingyur Rinpoche

  • Chogyam Trungpa

    Chogyam Trungpa

  • Home
  • Compaixão
  • Comunidades Compassivas

COMPAIXÃO
Comunidades Compassivas

 
O despontar da Compaixão em nós resulta de um caminho interior de descoberta mas apenas plenamente cumprido no e com o outro. Sem este, sem a criação de pontes, sem uma intenção direccionada para aliviar a dor do seu semelhante, liberto antes de mais de qualquer especismo ou outro –ismo redutor, a Compaixão pode não passar de um objecto da nossa capacidade de racionalização, mero exercício intelectual sem qualquer propósito ou fim.

Como animais sociais, é neste âmbito – ou círculo – que ela se cumpre. Apenas e só com a dissolução da dualidade do pensamento que nos domina, fechados que nos permitimos estar em grupos restritos que se reconfiguram a cada momento, em função do tema – raça, credo, filiação política ou desportiva, etc. Através da dissolução da dualidade que se consegue por via de uma prática meditativa regular, o outro perde as suas “fronteiras” físicas e psicológicas, assumindo uma forma indistinta mas nem por isso menos presente, tornando-se uma experiência bem real em cada um de nós, ao ponto de não haver qualquer distinção entre o “eu” e o “outro”. A Compaixão alarga-se, desta forma, a todos os Seres sencientes, assumindo a sua dimensão natural, universal.

Mas o próprio caminho interior de descoberta é, talvez antes de mais, também um processo de aprendizagem – por natureza, social – de partilha, de interacção permanente, com o outro, feito de saltos quânticos que se estabilizam e consolidam posteriormente no seio de um grupo – ou comunidade. Deste processo, da necessidade de nos aferirmos e de nos validarmos regularmente, resulta uma aproximação natural, espontânea de nos juntarmos a quem também está nessa mesma via de descoberta. É desta forma que nascem comunidades mais ou menos físicas ou virtuais, locais ou transnacionais, laicas ou de cariz religioso, fechadas ou abertas onde, independentemente dos propósitos ou intenções norteadoras da acção, a Compaixão, uma emergência da espiritualidade, assume eixo central de conduta quer para dentro quer para fora destas.

Tem-se assistido nos nossos dias ao desenvolvimento de novas comunidades que se têm conseguido manter auto-sustentadas, produto do efeito multiplicador gerado pelas comunidades que, desde o início da década de 60 do século passado, começaram, a nascer, impulsionadas pelos valores dos movimentos hippies que alastraram por toda a Europa.

Destas, algumas contando hoje com centenas de membros, deve salientar-se a transformação de locais áridos em espaços verdejantes que proporcionam o sustento da comunidade, quer a nível alimentar quer ao nível das matérias-primas para a construção de novas habitações ou para o aquecimento das mesmas. O respeito pela Natureza, pela sua inteligência, declara-se a cada momento, numa prática espiritual assente na profunda interconexão da Vida, de todas as formas de vida.

Da produção de alimentos à geração de energia, tudo é pensado e feito tendo por base o princípio da sustentabilidade, tirando apenas o estritamente necessário e repondo os recursos, mantendo o equilíbrio saudável do ecossistema.

Partindo da relação sagrada com a Natureza para as aprendizagens nas relações com os outros, acreditando que a Humanidade está num processo evolutivo, de expansão da consciência, estas comunidades têm procurado ter uma oferta formativa alargada, nalguns casos através de fundações entretanto criadas, iniciadas pela experiência de vida comunitária, que resulta das aprendizagens individuais e colectivas dos seus membros, procurando novas formas de interacção com o trabalho, com o meio ambiente, com os outros e consigo próprios, num clima de abertura, de verdade e de amor.

Se a Natureza assume papel de denominador comum, algumas comunidades foram também criadas para procurar respostas para a questão de como podiam os seres humanos, tão diferentes e vastas são as suas culturas e religiões, viverem juntos e em paz. Através da criação de espaços amplos de não-violência, de diálogo aberto, de confiança, éticos e socialmente responsáveis, nestas comunidades procuram-se também soluções de transição para uma sociedade pós-capitalista ao nível da produção e armazenamento de energias renováveis, de produção alimentar, através da permacultura, entre outras. A este nível, são frequentes os projectos de retenção de águas pluviais, passo inicial em qualquer projecto de transformação em permacultura de larga escala, através da construção de lagos naturais, sem recurso a materiais artificiais, à volta dos quais são plantados pomares extensivos e policulturais, no meio dos quais geralmente despontam hortas de vegetais, aromáticas e plantas para tisanas.

Embora seguindo aproximações por vias diferentes, todos estes projectos resultam no estabelecimento de comunidades fraternas, éticas, respeitadoras de forma não discriminatória de todas as demais formas de vida, em plena comunhão com a natureza, onde a emergência da Compaixão resulta de um processo de descoberta partilhada, cujo benefício não se restringe aos membros das comunidades, antes abertos e incentivadores da criação de novas comunidades, seja qual for a sua geografia, âmbito ou dimensão, para que o bem de tudo e de todos seja por fim, uma realidade vivida à escala global.


PARTILHE ESTE ARTIGO

 Enquanto existir o espaço, enquanto aí existirem seres, possa eu também permanecer para dissipar todo o seu sofrimento. 

~ Shantideva

CONTACTOS
Como chegar a nós

CÍRCULO DO ENTRE-SER

FALE CONNOSCO

COORDENADAS

SEGUE-NOS

Segue-nos nas redes sociais

SEGUE-NOS

Segue-nos nas redes sociais