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COMPAIXÃO
Seres Sencientes

 
Apesar da ideia generalizada de que o homem é superior a todos os restantes seres porque provido de uma racionalidade única e, como tal, possuidor do direito de dispor de uma forma livre daquilo que vive, é inegável que as preocupações quer ecológicas quer pelo estatuto dos animais têm crescido exponencialmente e provocado nos últimos tempos debates cada vez mais acesos e participados.

Assim, se por um lado assistimos nos dias de hoje a uma exploração cruel e sem precedentes dos animais e da natureza, fruto de uma sociedade de consumo cada vez mais exigente, impiedosa e voraz, assistimos, por outro, a um positivo e frutuoso florescer de uma preocupação ética que se vai impondo paulatinamente mas, crê-se, de forma irreversível.

Torna-se cada vez mais evidente a importância de transcender o radicalismo antropocêntrico centrado em paradigmas de superioridade da espécie, autonomia e razão triunfante que ainda governa as nossas visões do mundo dando lugar a novas abordagens éticas que desbravem terreno para o surgimento de renovadas, frutuosas e inspiradoras ideias que possam passar a referenciar o comportamento do homem perante os restantes seres viventes, numa nova, inclusiva, não discriminadora e abrangente relação de humanidade.

Nestes tempos de mudança assiste-se ao aumento da consciencialização sobre a crise global instalada que é fruto das crises humana, ecológica e animal, todas elas dialogantes e interdependentes e ao emergir de uma revolução de paradigmas com o surgimento de novos modelos de pendor mais relativista que respondem às novas exigências éticas de comunidades cada vez mais informadas, esclarecidas, cooperantes, solidárias e compassivas, de novos hábitos e fortes convicções e que integram esta nova dinâmica evolutiva tão aberta e consciente quanto inevitável e irreversível.

Além da já referida influência antropocêntrica que domina, em geral, o nosso modo de pensar o mundo (o homem no centro de tudo, tudo existindo para o servir) deveremos também ter uma especial preocupação com as tendências antropomórficas no tratamento da questão animal.

Mesmo no âmbito da defesa da causa animal é muito frequente que nos deixemos apanhar na teia das construções antropomórficas, abrindo a nossa empatia apenas aos seres que connosco parecem partilhar de forma mais inequívoca algumas das características que mais apreciamos em nós próprios. E, por isso, lutamos para englobá-los numa esfera de compaixão, moralidade e juridicidade não extensível a outros seres com características distintas. Como se a magnificência dos animais pudesse estar subordinada à sua verossimilhança com a condição humana ou, dito por outras palavras, como se os seres vivos fossem mais dignos de consideração quanto mais se aproximassem das formas de vida tradicionalmente consideradas “superiores”, neste caso a nossa.

Essa será, de uma certa perspetiva, mais uma forma de actuação especista, embora feita não já entre homens e outras espécies mas entre diferentes espécies.

Assim, torna-se imperativo que deixemos de agir como se ocupássemos o topo da “Cadeia do Ser” num mundo de incontáveis miríades de seres viventes, cujo conhecimento e compreensão profunda não podemos alcançar dadas as inúmeras limitações mentais, emocionais e sensoriais a que estamos sujeitos na nossa condição humana.

O homem necessita de se ver a si próprio como um habitante deste planeta e deste cosmos a par de tantos outros, mas onde todos merecem um respeito e um reconhecimento de dignidade que transcende as fronteiras da espécie e dir-se-ia mesmo quaisquer fronteiras que sejam fruto da atribuição de um valor relativo em função de um qualquer parâmetro de aferição de valores arquitectado à escala humana.

A visão que temos do mundo e dos seres deverá privilegiar a perspectiva da universalidade daquilo que é comum a todos e não da especificidade das características do homem.

É assim indispensável que tenhamos uma visão integrada e uma consciência da interdependência de tudo, reconhecendo a existência de um valor inerente das coisas, que subsiste por si e em si independentemente do entendimento que dele possamos ter.

Resta-nos pugnar pela necessidade de uma abordagem compassiva e holística das questões humanitárias, animais e ecológicas em que a sustentação e preservação do habitat natural se mostra imprescindível a todos e onde o homem reconhecendo a sacralidade de toda a vida com a qual mantém uma ligação de interdependência, busca harmonizar-se com a natureza e com os outros seres numa relação de aceitação, respeito e cooperação mútuos.


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 Enquanto existir o espaço, enquanto aí existirem seres, possa eu também permanecer para dissipar todo o seu sofrimento. 

~ Shantideva

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