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COMPAIXÃO
Transformação Social Compassiva

 
Quando pensamos em transformação social, a nossa mente imediatamente nos remete para imagens de revolução, violência, conflitos e dissensão. No entanto, a transformação social gerada pelas práticas meditativas é baseada no princípio e prática da compaixão em relação a todos os humanos e não-humanos, promovendo uma fluidez ontológica que visa ultrapassar as barreiras artificiais entre todas as formas existentes.

As nossas sociedades estão habitualmente organizadas em função de círculos de apego emocional, ligações que afetam as decisões que tomamos, que determinam os nossos estados psíquicos e que invariavelmente marcam as nossas filiações e ignorâncias. Estes círculos são geralmente condicionados por associações familiares, amorosas, étnicas ou ideológicas, levando à constituição de uma consciência grupal.

A constituição de círculos restritos de apego leva não só a uma constrição emocional – promovendo um sobreinvestimento psíquico nos membros do grupo – mas também cognitiva, impedindo-nos de reconhecer a existência dos que não fazem parte da nossa comunidade. Esta cegueira epistemológica estende-se não só a outros humanos mas também aos não-humanos, o que permite às nossas sociedades bombardear e dizimar membros da nossa espécie – considerados terroristas – e transformar não-humanos em matérias-primas – comida, energia, diversão, etc.

A destruição e instrumentalização da alteridade é habitualmente levada a cabo para maximizar o bem-estar do nosso grupo e assenta numa série de dualismos - nós e eles, humanos e não-humanos, ocidentais e bárbaros. A prática meditativa continuada e sistemática gera em nós a realização da interdependência entre todos os seres humanos e não humanos que, devido ao nosso apego a formas permanentes, a mente “normal” nos impede de constatar.

A compaixão é o resultado natural da realização de que somos todos irmãos e irmãs, que as formas que os nossos corpos e existências assumem é impermanente e que o sofrimento do Outro é real, seja ele o nosso companheiro, um membro da nossa comunidade alargada, um não-humano ou um desconhecido.

De que forma pode a compaixão tornar-se no motor da transformação social? A nossa constituição psíquica, a forma como vemos e experienciamos o mundo, é o resultado de um permanente processo de socialização que reproduz os dualismos geradores de antagonismo. A sociedade sistematiza e reproduz esses dualismos, naturalizando-nos através de uma complexa rede que inclui a cultura, a educação, a economia, a agricultura, a investigação científica, etc.

A transformação social compassiva requer uma profunda alteração dos mecanismos simbólicos, de poder, de produção e de fabricação de subjetividades. De forma a levar a cabo este projeto, sugerimos a introdução da prática meditativa nas escolas – para reverter um modelo educativo baseado exclusivamente em princípios de produtividade e eficiência; a disseminação de grupos de meditação na sociedade civil; a realização de workshops e congressos sobre meditação; a divulgação de informação científica acerca das prática meditativas; a integração de práticas contemplativas no local de trabalho; a promoção de terapias baseadas em mindfulness no sistema de saúde português; o apoio e divulgação de práticas concretas que atualizem a realização da Interdependência em vários campos de ação, como a permacultura, a economia solidária, a engenharia adaptativa e formas de participação política que visam integrar a voz dos não humanos nos processos de decisão (como o Parlamento das Coisas de Bruno Latour ou o Conselho de Todos os Seres de Joanna Macy e John Seed).

Apesar da realização meditativa da interdependência nos despertar para a premência e urgência da Compaixão, não devemos cair num individualismo ingénuo, julgando que a mera prática contemplativa, por si só, irá magicamente resolver todos os problemas. A transformação social compassiva exige a prática da meditação em ação, a plena consciência em todo os gestos tomados em prol da harmonia entre todos os seres.

O nosso contributo, em pleno século XXI, passa não só pela promoção e disseminação de práticas contemplativas mas também pela criação de dispositivos culturais, económicos, produtivos e educativos inspirados na realização da interdependência. Nesse sentido, a transformação social compassiva será alicerçada numa vasta rede de mecanismos epistemológicos que nos permitirão escutar e responder robustamente ao sofrimento do Outro, seja ele uma pessoa, um animal, uma planta ou o planeta que habitamos.

O nosso trabalho presente e futuro, enquanto praticantes contemplativos, é a disseminação destas novas práticas, encarando a Compaixão como a semente geradora de uma nova sociedade.


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 Enquanto existir o espaço, enquanto aí existirem seres, possa eu também permanecer para dissipar todo o seu sofrimento. 

~ Shantideva

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