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MEDITAÇÃO
Na Alimentação

 
No actual paradigma civilizacional em que vivemos, que nos obriga a uma correria permanente ao longo do dia, filas de trânsito para deixar os filhos na escola, para o emprego, onde somos obrigados a um desdobramento constante entre várias tarefas em simultâneo, algum exercício físico no período de almoço ou ao fim do dia, mais filas de trânsito no regresso a casa, comer tornou-se num acto sem significado para além do aporte de recursos necessários para a sobrevivência.

Desta falta de tempo permanente, nasceram respostas como os snack-bars, as refeições ao balcão e posteriormente as soluções industriais de fast-food, quer através da proliferação de cadeias de franchising de conceito americano quer através dos produtos pronto-a-comer pré-cozinhados, rapidamente confeccionados no forno ou micro-ondas. Progressivamente, esta “modernidade” que fomos aceitando positivamente e sem discussão afastou-nos progressivamente da refeição tomada com tempo, à base de alimentos frescos confeccionados no momento. Desta forma de estar, fomos adquirindo novas patologias, desde o aumento de casos de diabetes e colesterol em idades cada vez mais baixas, passando pelos inúmeros casos conhecidos de distúrbios alimentares até à associação, mais recentemente conforme vários estudos indicam, de novas formas de cancro ou do aumento da sua incidência naqueles que já estavam associados a esta.

Para o bem ou para o mal, somos o que comemos.

Para compensar esta tendência, vários movimentos procuraram dar resposta a estas preocupações cada vez mais presentes na sociedade. Desde o “slow food” à alimentação biológica, entre outros, importa contrariar a tendência e devolver o bem-estar que se perdeu.

Sendo uma prática cada vez mais enraizada nas sociedades ocidentais, onde foi durante séculos ignorada ou esquecida e onde hoje começa também a penetrar em diversas instituições fundamentais, algumas das quais inesperadas, como as ligadas à economia e à política, a atenção plena tem vindo a ser aplicada a um número cada vez maior de aspectos da nossa vivência diária, podendo aplicar-se também aos alimentos que consumimos.

Nesta, para além da forma e do que comemos, alargamos a nossa consciência ao alimento em si, como se desenvolveu, da semente ao fruto ou vegetal, que caminho percorreu até chegar ao nosso prato, por que mãos de trabalho passou.

Noutro plano, tomamos também consciência do significado profundo que tem, hoje em dia, ter de comer, quando cerca de 1/7 da população mundial sofre de subnutrição e se regista uma morte a cada 6 segundos por falta de alimentação. Desta, resulta também a consciência do desperdício, preparando-se e servindo-se as quantidades adequadas para a refeição. Num outro plano ainda, degustar uma refeição em atenção plena significa saboreá-la devagar, mastigando lentamente para se poder desfrutar através de todos os sentidos. Ver, cheirar, identificar os paladares e texturas são parte integrante da experiência!

No livro “Savor”, escrito em parceria com Thich Nhat Hanh, monge budista e grande inspirador do Circulo do Entre-Ser, a Dra. Lilian W. Y. Cheung, professora e directora do departamento de nutrição da Universidade de Harvard, na área da saúde pública, identificou as seguintes práticas para uma alimentação plena:

  • Honrar a comida;
  • Mobilizar todos os sentidos;
  • Servir em porções modestas;
  • Saborear pequenas quantidades e mastigar cuidadosamente;
  • Comer devagar para evitar comer em excesso;
  • Não falhar refeições;
  • Adoptar uma dieta tendencialmente vegetariana, pela sua saúde e do planeta.

Comer em conjunto pode tornar-se numa prática meditativa. Existem várias formas de nos ajudar a manter a atenção plena enquanto comemos. Quando servimos a comida, podemos estar conscientes dos vários elementos que contribuíram para aquela deliciosa refeição – o ar, a água, o sol, a terra e o amor. Antes de ingerirmos os alimentos, podermos estar conscientes e por isso gratos por todos os aspectos em que o universo contribuiu para a sua criação. E desta forma, também podermos estar conscientes da importância de comermos moderadamente e assim, não colocarmos em risco a sustentabilidade do planeta.

A prática regular da atenção plena na alimentação é também um precioso auxiliar para as pessoas que têm um relacionamento difícil com a comida, apresentado ou não distúrbios alimentares que assumam uma forma patológica, na medida em que as torna conscientes destes mesmos problemas o que raramente acontece sem que se consulte um especialista, iniciando ou passando por esta tomada de consciência o processo de cura.

Em conjunto com a prática diária dos Cinco Treinos da Atenção Plena, uma alimentação plena de atenção torna as refeições numa forma de obter mais saúde, alegria, compaixão, amor e paz.


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 Enquanto existir o espaço, enquanto aí existirem seres, possa eu também permanecer para dissipar todo o seu sofrimento. 

~ Shantideva

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