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MEDITAÇÃO
Na Transformação Social

 
A atenção plena, enquanto prática contemplativa, convida-nos a prestar atenção ao momento presente, o que progressivamente nos esclarece acerca da íntima interconexão entre todas as entidades, vivas e não vivas, humanas e não humanas. O reconhecimento desta interligação favorece o desenvolvimento da compaixão em relação a todos os entes e ecossistemas, sustentando um projeto transformativo em que a malha social – economia, medicina, educação e cultura – visa o florescimento harmonioso de todos os seres.

A atenção plena visa a aceitação da experiência fenomenológica momento a momento. Pensamentos, emoções, sensações, movimentos e estímulos ambientais são reconhecidos enquanto manifestações da consciência e encarados de forma compassiva e não-violenta. Este modo de interpretar a experiência constitui uma ontologia não instrumental – por, um lado, reconhece que os entes, outros humanos e não-humanos, não devem ser condicionados em função dos nossos interesses pessoais; da mesma forma, a realização da interdependência entre todos os seres expande o círculo ético, habitualmente circunscrito a filiações limitadas, passando a englobar todas as entidades existentes.

Os ativistas que lutam diariamente por uma sociedade mais justa – seja em prol da paz, dos direitos dos animais, da preservação da natureza, da reforma da economia, da defesa das vítimas de violência, pobres, desempregados ou refugiados – muitas vezes sofrem na pele a ansiedade, frustração, desespero e stress criados não só pelas situações que visam combater mas também pelos modelos institucionais disponíveis para reformular a sociedade. Aqueles que já participaram em manifestações sabem como é habitual os sentimentos escalarem, e por vezes deixamo-nos levar por gritos de revolta e sentimentos de ódio em relação àqueles que julgamos serem os responsáveis – políticos, banqueiros, alta burguesia, criminosos, terroristas, etc.

Para combater a guerra não devemos recorrer a práticas violentas, que perpetuam os conflitos. A não-violência, nomeadamente as caminhadas pela paz promovidas por Thich Nhat Hanh, são excelentes exemplos de formas integrais de incorporar um outro paradigma social, não só através de palavras mas envolvendo totalmente os nossos corpos e mentes, estabelecendo coreografias políticas que contrastam com a violência dos conflitos que visamos evitar.

A atenção plena é, atualmente, uma prática que tem adquirido crescente popularidade no Ocidente. Sistemas de saúde, clínicas privadas e empresas oferecem estas práticas a pacientes e cidadãos em busca de saúde, tranquilidade, paz interior e realização pessoal. A aplicação da mindfulness em contextos terapêuticos é ilustrativa do potencial das práticas contemplativas para gerarem uma transformação social. A mindfulness contemporânea faz parte de uma série de novas ontologias que contrastam com a epistemologia moderna, caracterizada por dispositivos que visam a dominação, instrumentalização e destruição do outro. Ao invés de ajustar o indivíduo a um ideal de normalidade através de dispositivos farmacológicos ou terapêuticos que procuram camuflar e diminuir a agência do paciente, a mindfulness promove uma atitude de aceitação e compaixão em relação ao universo fenomenológico do sujeito. Este modelo meditativo pode ser aplicado não só em ambientes terapêuticos mas num conjunto mais vasto de contextos sociais. Formas de economia solidária, permacultura, arte influenciada por práticas e cosmovisões meditativas ou a utilização da meditação para potenciar uma consciência ecológica são alguns dos exemplos que reforçam o potencial da atenção plena para a transformação social.

Formas de economia solidária, permacultura, arte influenciada por práticas e cosmovisões meditativas ou a utilização da meditação para potenciar uma consciência ecológica são alguns dos exemplos que reforçam o potencial da atenção plena para a transformação social.

Atravessamos atualmente uma fase civilizacional caracterizada por uma tensa dialética entre a racionalidade técnico-científica e a religiosidade. A ciência, apesar de ter aumentado a esperança média de vida das populações assim como o conforto no mundo ocidental, também criou novos “monstros” como desastres ambientais, armas de destruição em massa ou o consumo desenfreado. Por outro lado, a religião tradicional não tem sido capaz de responder de forma ativa aos novos desafios que se colocam, e por vezes tem servido como catalisador para o ódio e radicalismo gerados pela frustração contemporânea.

A atenção plena surge enquanto uma entidade híbrida, afetada mas não totalmente dependente destas duas racionalidades. Os seus efeitos são estudados com recurso a técnicas “científicas”, como eletroencefalogramas, ressonâncias magnéticas, testes psicológicos, etc, e publicados em revistas com revisão por pares. Por outro lado, estas técnicas têm origem em práticas espirituais no âmbito de tradições como o budismo e o hinduísmo. Apesar de emergir na confluência entre ciência e espiritualidade, a mindfulness não se assume nem como científica nem como religiosa. É uma prática que visa o encontro do humano com a eterna coreografia da sua interioridade, que nunca está desligada da impermanente interdependência entre todas as formas. É na aceitação desta dança, no encontro entre entidades e formas passageiras, que a atenção plena pode desempenhar um papel na transformação social, gerando práticas compassivas e conscientes nos mais diversos campos da ação humana.


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 Enquanto existir o espaço, enquanto aí existirem seres, possa eu também permanecer para dissipar todo o seu sofrimento. 

~ Shantideva

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